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Artigo – Extensionista do Ruraltins, Athila Damasceno, mostra a importância  da produção integrada como alternativa de sustentabilidade ambiental e a importância do Zootecnista, Engenheiro Agrônomo e Médico Veterinário nesse processo produtivo

19/02/2021 - Athila Damasceno - Zootecnista, extensionista rural e professor do curso de Agronomia na Unitpac

No cenário mundial o Brasil sempre ganha destaque como um dos maiores produtores de alimento. Um exemplo é a carne bovina, que vem ganhando cada dia o mercado internacional e estimulado cada vez mais o produtor buscar por tecnologias que proporcionem maiores produtividades e rentabilidade.

Porém, por muitos anos, a cadeia produtiva de carne bovina brasileira, foi alvo de críticas por associar o aumento da produção de carne bovina com aumento de áreas de exploração e em detrimento de áreas de florestas principalmente na Amazônia Legal. Surge então, uma demanda frequente do produtor em aumentar sua produção de arrobas por hectare trabalhado (@/ha), ou seja, aumentar a quantidade de carne produzida sem que ocorra o avanço de áreas de pastagens sobre a floresta.

Umas das estratégias utilizadas para melhoria desse aumento de eficiência produtiva, está ligada à melhor utilização da área, fazendo consorcio de atividades e rotação de culturas. Em um país de clima tropical e com solos de baixa fertilidade, trabalhar a rotatividade de culturas e ciclicidade de nutrientes tornam-se estratégias de produção indispensáveis e tudo isso, associado ao incremento de matéria orgânica no solo garantem maior perenidade do sistema produtivo, e redução de abertura de novas áreas.

No Tocantins os sistemas de Integração Lavoura Pecuária (ILP), focadas na intensificação da produção pecuária tornou-se nos últimos anos umas das maiores referências no país, esse sucesso deve-se principalmente as atividades de Pesquisa e Extensão Rural, realizadas em parceria da EMBRAPA/RURALTINS e iniciativa provada, que têm alcançado altas produtividades juntos com os produtores utilizando metodologias da Agricultura de Baixa Emissão de Carbono (ABC), por meio da utilização de sistemas integrados de produção e intensificação pecuária.

Dados consolidados do estudo têm mostrado na safra 19/20 uma média de produção de 25 @/ha/ano e uma média de margem bruta em reais por hectare (R$/ha) próximo a R$ 4.000,00/ha (quatro mil reais por hectare). Um dos principais benefícios de se trabalhar com intensificação pecuária e ILP, se dá pelo aporte nutricional alcançado para os animais, com disponibilidade de alimento de qualidade (pasto) nos períodos críticos de seca, bem como a oportunidade de realizar o “sequestro de animais” de áreas no período chuvoso para que seja possível fazer o ciclo de lavoura nestas áreas, que durante o ciclo de produção a matéria orgânica deixada pelo capim fornece condições ideais de matéria orgânica e umidade no solo que beneficiam a lavoura e após a colheita desta, deixa nutrientes remanescentes suficiente para que o capim consiga expressar altas produtividades.

Em uma produção que demanda tanto conhecimento técnico e acompanhamento frequente são altos, devido aos investimentos empregados no sistema produtivo, a figura dos profissionais de produção tornam-se indispensáveis para o sucesso da produção e assim alcançar maiores retornos econômicos da atividade.
O Zootecnista é o profissional habilitado para desenvolver os protocolos de manejo nutricional podendo reduzir custos com balanceamento de ração e/ou suplementos para os animais, manejo das pastagens com foco na nutrição animal, que garante tanto altos ganhos de peso para os animais, bem como evita a degradação da pastagem por sub pastejo ou super pastejo, além de ser capaz de fazer a gestão produtiva como um todo da fazenda. Além de ser capaz de utilizar recursos da própria fazenda para elaborar soluções que venham de fato sanar as demandas de uma propriedade de ILP, ILPF, SSP’s e Pecuária Intensiva com sistemas rotacionado e/ou confinamentos.

Já o Engenheiro Agrônomo tem a capacidade de elaborar o planejamento, implantação e manejo das lavouras que demandam bastante acompanhamento por serem preferencialmente estabelecidas integrada com capim.

O Médico Veterinário tem o papel de elaborar protocolos sanitários focados no manejo reprodutivo, que vai garantir maiores taxas de concepção e consequentemente um rebanho de melhor qualidade genética.

Sendo assim, cada profissional tem seu papel dentro dos sistemas de produção, com sua especificidade profissional, que garante o produtor o sucesso da atividade e melhores margens de retorno econômico sem agressão ao meio ambiente. Uma vez que um sistema produtivo bem planejado e bem conduzido, é capaz de trazer retornos satisfatórios com a produção de alimentos, respeita os recursos naturais da região uma vez que tudo converge para menor necessidade exploratória de áreas, e o produtor começa a observar que seu maior bem é o solo, pois este estando em equilíbrio ecológico (fertilidade, matéria orgânica e microrganismos) os reflexos produtivos são cada vez maiores e com menor necessidade de insumos.

Referências Bibliográficas GRISE, M. M.; ALCÂNTARA, P. H. R. de; BARBOSA, C. F.; BELCHIOR, E. B. O Projeto ABC Corte: inovando na pecuária de corte do estado do Tocantins. Agronomia [recurso eletrônico] : jornadas científicas: volume 2 /. – Guarujá, SP: Editora Científica Digital, 2020. ISBN: 978-65-87196-07-7. Disponível em: https://ainfo.cnptia.embrapa.br/digital/bitstream/item/214043/1/CNPASA-2020- cap13.pdf, Acesso em: 10 de Janeiro de 2021. (Artigo publicado originalmente no site do Conselho Regional de Medicina Veterinária -  CRMV-TO,  em 18 de fevereiro de 2021).