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Piscicultura é destaque na Feira Agrotecnológica da Região Sudeste

13/04/2019 - Amanda Oliveira/Governo do Tocantins

A piscicultura na região sudeste do estado é praticada em 13 municípios, responsáveis por produzirem mais de 9,6 mil toneladas de peixes por ano. A atividade foi tema de um dia de campo dentro da programação da 5º edição da Feira Agrotecnólogica da Região Sudeste do Tocantins (Agrosudeste), ocorrido na sexta-feira,12, no Frigorifico Pescados Piracema, situado na zona rural do município de Almas.

O encontro contou com quatro estações distribuídas nas áreas produtivas do empreendimento. Na primeira delas sobre Criação de Tilápia e Melhoramento Genético, Ricardo Neukirchner, engenheiro agronômo da CEO Aquabel América Latina, esclareceu aos participantes as características da espécie, desmistificando o receio dos produtores que criam peixes nativos.

“A tilápia chega como mais uma alternativa de produção para os piscicultores. Desse modo, a espécie vai conquistar novos espaços e não tomar o espaço do peixe nativo. Essa questão de que a tilápia é um peixe predador, que vai acabar com as outras espécies, não é nenhuma realidade, porque é o peixe mais cultivado em todos os lugares do mundo. Ambientalmente, se a tilápia fosse um predador que acabaria com as outras espécies, não teria recebido liberações para serem produzidas,” afirmou o engenheiro agrônomo.

O Zootecnista, Ruvoney Gomes Cipriano, explanou sobre Manejo Alimentar e Nutrição dos Peixes. O profissional enfatizou que é um tema de vital importância na piscicultura, pois é uma fase onde se reduz de 50% a 70% os custo de produção.

“O manejo não pode ser errado e deve ser dada toda atenção. Para cada fase de desenvolvimento, o peixe tem uma exigência especifica e, consequentemente, precisa de uma ração diferente. O peixe é como uma criança, na medida em que vai se desenvolvendo é necessário trocar o alimento, quanto menor o peixe, maiores são os níveis de exigências de proteínas. O custo do alimento é mais alto nas fases iniciais, mas nas finais o peixe come muito mais. Não economizar na fase inicial é mais adequado porque é a fase de desenvolvimento da criação, para que no final seja possível encurtar essa fase,” explicou Ruvoney.

Despesca e Insensibilização foi o tema abordado pelo médico veterinário, Doutor Pesquisador do Núcleo Temático de Pesca e Aquicultura da Embrapa, Leandro Kanamaru Franco de Lima. Na oportunidade ele falou sobre os principais cuidados e técnicas para realizar os procedimentos de despesca dos peixes em sistemas produtivos.

“Nosso objetivo foi apresentar as boas práticas para retirada dos peixes do tanque, com o mínimo de estresse possível, uma vez que procedimentos incorretos podem influenciar negativamente na hora de realizar o corte, a conservação do peixe e a comercialização”, enfatizou o pesquisador.

Leandro Kanamaru complementou ainda que “ é preciso respeitar a rapidez do processo, a logística, a importância de se ter toda estrutura necessária, como mão de obra disponível, caminhão para  transporte, gelo como agente de conservação, tanto para insensibilização dos animais, quanto para conservação dos peixes. Usado com eficiência, o gelo previne contra a proliferação de bactérias e microorganismos que estão em volta, evitando a contaminação da carne".

Já na última estação, realizada no Frigorífico, os participantes visitaram as instalações internas, acompanhados do gerente administrativo, Valteir Valadares Rosa. No local acontece o recebimento e processamento dos peixes.

“Aqui é um espaço reservado para falarmos do nosso produto, compartilhar experiências, mostrar ao produtor o que uma indústria necessita, o que ele vai produzir, qual o tamanho e se tem mercado. O dia de campo tem sido cada vez mais importante para o Frigorífico, nos dando a oportunidade de formar multiplicadores das nossas informações”, disse o gerente.

O Gerente de Aquicultura do Ruraltins, Andrey Costa, ressalta os benefícios para os produtores com a realização do dia técnico da piscultura.

“O Ruraltins por dois anos consecutivos prepara esse dia de campo no sentido de repassar novas tecnologias e apresentar todas as etapas de produção. Para os produtores o maior benefício do dia de campo é poder acompanhar todos os processos produtivos dentro do ciclo de criação de peixes, desde a alevinagem até o processamento do pescado. Isso faz com que o produtor observe na prática quais as técnicas adequadas que podem ser aplicadas em sua propriedade e replicá-las", destaca Andrey Costa.

Para Auri Hudson, piscicultor do Projeto Pirapitinga, empresário de médio porte que comercializa alevinos aos estados da Bahia, Goiás e Tocantins, o evento é favorável não apenas aos piscicultores, como também aos empresários, estudantes e produtores rurais.

“É uma oportunidade única de participar de capacitações tão importantes, que trazem tecnologias e conhecimentos aplicados por excelentes profissionais da pesquisa e da extensão rural. É com a assistência técnica que aprendemos todas as fases de produção, desde a alevinagem, biometria até o peixe chegar ao abate. A parceria do Ruraltins, nos atende não apenas na assistência técnica produtiva, mas proporciona eventos como esse, que melhora conhecimentos em todo processo. Além de ser grande parceiro na etapa de comercialização, dá suporte também aos produtores da região que adquirem  nossos alevinos.” afirmou o produtor.

Degustação

Como parte da programação do Dia de Campo da piscicultura constaram ainda diversas palestras voltadas para a atividade, bem como a degustação de deliciosas receitas a base de peixes, orientadas e preparadas com o apoio da extensionista, Cassia Bento Sobreira. bióloga do Ruraltins.

“Colocamos a disposição dos participantes pratos como quibes, hambúrgueres, croquetes, torradas com patê, pastelão, bolo de chocolate com carne mecanicamente processadas de tambaqui, tortas, além de peixes fritos e assados, costelinhas de tambaqui assadas, muqueca de tambaquis, bobó de surubim e pirão de tambaqui”, pontuou a bióloga.