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Censo da piscicultura é apresentado em simpósio para o desenvolvimento da cadeia no Estado

18/10/2019 - Ascom Ruraltins

Com a finalidade de alavancar a piscicultura no Tocantins, o Governo do Estado, por meio da Secretaria da Agricultura, Pecuária e Aquicultura (Seagro), a Federação da Agricultura e Pecuária do Tocantins (Faet) e Centro Universitário Católica do Tocantins promovem o Simpósio para o Desenvolvimento da Piscicultura no Tocantins, que ocorre de 17 a 19 de outubro. Nesta sexta-feira, 18, os participantes tiveram acesso ao Censo da Piscicultura, realizado pelo Instituto de Desenvolvimento Rural do Tocantins (Ruraltins).

O estudo, apresentado pelo gerente de Pesca e Aquicultura, Andrey Costa, contou com a presença de estudantes, técnicos e produtores. Dentre eles o produtor, Fernando Taniguchi, que veio em busca de mais conhecimento e incentivos para a atividade no Estado. Há três anos atuando na criação de lambari, em Tocantínia, Fernando afirmou que sempre mantem contato com a equipe técnica do Ruraltins e da Seagro e que sua produção este ano praticamente triplicou e já chega a 1,5 toneladas/ano. “Para os próximos anos a perspectiva é de crescimento, como a produção de lambari ainda é pequena, incipiente, a tendência é que ela cresça no mercado”, afirmou o produtor, que comercializa o peixe como isca viva no comércio de Palmas.

Censo da Piscicultura

O estudo, apresentado pelo gerente de Pesca e Aquicultura, Andrey Costa, teve como objetivos mapear, identificar, classificar e caracterizar a produção de pescados no Tocantins, traçando o perfil da produção dos produtores e das propriedades. Esses dados coletados servirão, principalmente, de subsídios para elaboração do Plano de Desenvolvimento da Piscicultura do Estado do Tocantins, plano este que tem o propósito de alavancar o crescimento da atividade no estado, fazendo com que se posicione, no prazo de 10 anos, entre os cinco maiores produtores de pescado do Brasil. Atualmente, o Tocantins, em se tratando de produção, ocupa o 17º lugar no ranking nacional.

O mapeamento foi realizado pelo Ruraltins, em parceria com a então Secretaria Estadual do Desenvolvimento Econômico, Ciência, Tecnologia, Turismo e Cultura (Seden), a Secretaria da Indústria e Comércio, Secretaria da Agricultura, Pecuária e Aquicultura (Seagro) e Embrapa Pesca e Aquicultura.

Todo levantamento para saber onde estavam as pisciculturas foi feito por meio de imagens de satélite, disponibilizadas pela Embrapa, via cadastro do Ruraltins, nos municípios. No total foram percorridos aproximadamente 80 mil quilômetros km e 132 servidores envolvidos. Os técnicos se deslocaram até as propriedades rurais e aplicaram os questionários, sendo divididos por regiões.

Concluído no ano de 2018, esse levantamento apontou que a cadeia produtiva está presente em 117 municípios do Estado, e produz 14.328 toneladas de pescado por ano, com 1.099 produtores atualmente em atividade. Os maiores produtores de peixes são os municípios de Almas, com 8,3 mil toneladas/ano; seguido por Dianópolis, 1,1 mil toneladas; e Porto Nacional com 1,08 mil toneladas/ano. Em 2017, o setor movimentou R$ 92,8 milhões.

A cadeia da piscicultura é praticada em diferentes sistemas de produção como o extensivo, intensivo e semi-intensivo, ocupando uma área de 2.717 hectares de lâmina d’água e 25.893 m³. Os piscicultores utilizam os barramentos, viveiros escavados, tanques rede e açudes como principais estruturas de produção. As espécies mais cultivadas são o tambaqui com 48%, seguida de peixes redondos 23,4%; Caranha 11,4% e o surubim/pintado 10,5%. As demais espécies como matrinxã/piabanha, piau, pirarucu/pirosca, curimbatá/curimba e a tilápia, representam 6,7% da produção total.

Ainda de acordo com o levantamento, o maior estado fornecedor de alevinos para os produtores é o Tocantins, sendo povoados 11,6 milhões de alevinos, em 2017, e consumidas 16 mil toneladas de ração entre as propriedades criadoras de pescado.

O Censo da Piscicultura mostrou ainda que em relação à caracterização da atividade, 46% dos entrevistados a exercem de forma comercial, 17% como atividade de subsistência e 9,3% para lazer. A pesquisa aponta também que 17,9% das pisciculturas estão desativadas e 9,3% dos entrevistados não souberam responder como caracteriza a atividade.  

“No levantamento, os piscicultores destacaram, dentre as principais dificuldades encontradas, o custo da ração, o licenciamento ambiental, a assistência técnica, o acesso ao crédito, o alcance ao frigorífico, a alternativas de comercialização, a condição e conservação das estradas, o curso de capacitação, valor de venda do pescado, mão de obra qualificada e acesso a equipamentos para a piscicultura”, apontou Andrey Costa.