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Seminário destaca a importância da agroecologia na produção e preservação do meio ambiente

23/11/2018 - Lúcia Brito/Governo do Tocantins

O 5º Seminário Estadual de Agroecologia, realizado pelo Instituto de Desenvolvimento Rural do Tocantins (Ruraltins), reuniu cerca de 300 participantes entre agricultores, técnicos, estudantes, pesquisadores, professores, associações, autoridades estaduais e municipais, nesta quinta-feira, 22, no auditório do Centro Universitário Luterano de Palmas (Ceulp Ulbra).

O evento contou com ampla programação envolvendo palestras, roda de conversa com agricultores sobre experiências agroecológicas em suas propriedades, além de apresentações culturais como da Banda Sanfônica Amor Perfeito, formada por alunos do Colégio Estadual da Vila União.

Doutor em Ciências Agrárias, José Sebastião Romano, professor da Universidade Federal Rural da Amazônia, abriu o ciclo de palestras apresentando as práticas produtivas do sistema agroflorestal, que é o plantio de várias culturas ao mesmo tempo, tendo sempre o solo coberto pela vegetação, dispensando o uso de agrotóxico.

“Os agricultores já estão familiarizados com esse sistema de produção, pois está nos seus quintais e sítios. Afirmo que não é necessário reinventar a roda, basta só utilizar o que está a seu favor. Esse é o caminho para uma boa saúde e proteção do meio ambiente, conciliando a produção, a preservação e a geração de renda”, disse.

Na oportunidade Rogério Dias, vice-presidente da Associação Brasileira de Agroecologia da região centro-oeste, apresentou alguns pontos do Projeto de Lei 6299/2002, que propõe mudanças nas regras para fiscalização e aplicação dos agrotóxicos no país e que atualmente tramita no Congresso Nacional. Segundo ele, o texto apresentado da forma como está, traz sérios riscos à saúde e ao meio ambiente.

Dentre as várias propostas apresentadas no Projeto de Lei, uma delas seria acabar com a denominação agrotóxico nas embalagens, passando a identificá-lo como pesticida, no intuito de esconder da população o risco que ela corre pelo uso de produtos tóxicos na produção de alimentos. Vejo que é uma discussão que a sociedade inteira tem que participar, pois estamos falando de algo que afeta a vida de todo mundo, não só por causa dos alimentos que vão à nossa mesa, mas pelo efeito que causa ao meio ambiente e  impacta a sociedade como um todo. Momentos como esse, onde a gente possa discutir o porque dessas atitudes, pode ser fundamental para promover mudanças no projeto antes da aprovação no plenário da Câmara e do Senado”, avaliou.

Outro momento importante foi a participação do engenheiro agrônomo da Rede Ecovida, Elson Zumbi, sobre a construção coletiva e participativa na produção agroecológica.Você trabalhar com agroecologia em rede, com controle e apoio, tendo a participação de agricultores e de todos os pares, promove em nós a capacidade de dar significados novos às coisas, aos alimentos produzidos, como também um significado novo a ciência, as técnicas e ao acesso a elas”, pontuou.

Para o agricultor Getúlio Vieira, o encontro serviu para aprimorar conhecimentos e trocar experiências. “Há 18 anos saí do sistema convencional de plantio para o agroecológico e estou satisfeito com essa mudança. Acredito que é um universo muito rico de produção, onde é possível produzir e viver bem”, disse, complementando que na propriedade produz cana-de-açúcar, açaí, cajá e outras dezenas de alimentos.

A gerente de Agroecologia do Ruraltins, Amanda Oliveira, citou algumas conquistas a partir da realização do seminário. “Estamos há cinco anos promovendo esse seminário, que resultou na criação da Comissão da Produção Orgânica do Estado. Lutamos e muito para que a produção orgânica e agroecologia, fosse iniciada, e que todos começassem a utilizar dessa metodologia para produzir, utilizando técnicas que não agredissem o meio ambiente. Agora, percebemos que essa ideia está dando certo, pelo número de pessoas interessadas nesse tema. Enfatizo a importância da pesquisa que através dos resultados positivos, em seus experimentos, vem despertando a nova geração de estudantes, por meio das escolas, a se capacitarem e desenvolverem novas perspectivas na linha da agroecologia. Parabenizamos o Ceulp Ulbra pela criação da Unitas Agroecológica, na pessoa da professora Conceição Previero, por sua dedicação a um trabalho que tem sido referência", avaliou.

Realização

O 5º Seminário Estadual de Agroecologia foi uma realização do Ruraltins,  do Centro Universitario Luterano de Palmas (Ceulp Ulbra), da Secretaria Especial da agricultura Familiar e do Desenvolvimento Agrário (Sead), Ministério do Agricultura, Pecuária e Abastecimento ( Mapa), em parceria com a Secretaria Estadual do Desenvolvimento da Agricultura e Pecuária (Seagro), Prefeitura Municipal de Palmas, Universidade Federal do Tocantins (UFT), Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuário (Embrapa), Comissão da Produção Orgânica (CPOrg) e Unitas Agroecológica.

Presente no evento, o vice – presidente do Ruraltins, Fábio Lima, destacou o papel da extensão rural no sentido de promover uma produção saudável no campo.

“Os extensionistas são agentes de mudanças tanto na área ambiental, como social e econômica, em todas as regiões do nosso estado. Junto aos produtores rurais desenvolvem práticas de plantio, de combate a pragas e doenças, utilizando metodologias livres de produtos químicos que tanto faz mal a saúde da população. Esse evento colabora para fortalecer ainda mais esse trabalho e disseminar novas ideia e conceitos”, frisou.

O Reitor do Ceulp Ulbra, Adriano Chiarani, observou que os conhecimentos partilhados devem ser expressos nas comunidades como ferramenta de transformação. “Em vários locais as práticas agroecológicas apresentam resultados visíveis, mas podemos muito mais. O Ceulp Ulbra está há 26 anos no Tocantins e tem como objetivo o crescimento e a sustentabilidade desse estado”, ponderou.

"Somos conhecedores dos esforços empreendidos por todos os atores envolvidos nas questões da agroecologia, para que cada vez mais chegue à mesa dos brasileiros produtos mais saudáveis e livres de venenos, seja na produção de base agroecológicos, seja na produção de orgânicos. O governo federal tem apoiado essas ações nos estados que agregam valor a produção e geram renda", observou Hugo Leonardo, Delegado Substituto da Secretaria Especial Agricultura Familiar e do Desenvolvimento Agrário (Sead).

Presenças

Prestigiaram ainda o seminário, Rodrigo Guerra, Superintendente da Secretaria Federal da Agricultura, a Diretora de Tecnologias Sociais e Sociobiodiversidade da Secretaria do Desenvolvimento da Agricultura e Pecuária (Seagro), Francisca Marta Barbosa, o presidente do Naturatins, Marcelo Falcão, Marcilio Pereira, presidente Federação Tocantinense das Associações e Entidades Rurais do Tocantins (Faerto), o  diretor de Assistência Técnica da Secretaria Municipal do Desenvolvimento Rural (Seder), Bonfim dos Reis Ferreira dos Santos, além dos diretores do Ruraltins, Edmilson Rodrigues, de Assistência Técnica e Extensão Rural, e Dryelly Rodrigues, empreendedorismo rural.